Um estudo da Datafolha revelou que 43% dos brasileiros não possuem nenhuma reserva financeira, e metade dos entrevistados não sabe ao certo quanto gasta por mês. Os números acendem um alerta sobre o comportamento de consumo e a falta de organização financeira das famílias, mostrando como a ausência de planejamento aumenta a vulnerabilidade diante de imprevistos e períodos de alta nos preços.
O levantamento, encomendado pela Planejar, ouviu 2.000 pessoas entre 16 e 29 de julho de 2025. Os resultados oferecem um retrato amplo das finanças domésticas no país e reforçam a distância entre o discurso de organização e a prática cotidiana. Embora muitos brasileiros afirmem ter controle sobre suas contas, poucos adotam métodos estruturados de acompanhamento.
O que a pesquisa revela sobre a situação financeira das famílias
A pesquisa mostra que, embora 59% dos brasileiros afirmem ser planejados com o próprio dinheiro, a realidade prática é bem diferente. Entre os entrevistados, 43% não possuem qualquer quantia reservada para emergências. O dado é ainda mais expressivo entre a classe C, que concentra a maior parcela da população sem economia acumulada.
Especialistas apontam que a combinação de renda insuficiente, falta de conhecimento sobre finanças e ausência de rotina de controle contribui para esse comportamento. Sem organização e metas claras, o orçamento tende a ser consumido por gastos imediatos, deixando pouco espaço para poupança.
O levantamento também revelou uma desconexão entre percepção e prática: 52% acreditam ter boa noção dos próprios gastos, mas não sabem o valor exato. Isso indica que, para muitos, o controle do orçamento ainda é intuitivo e não baseado em dados reais.
Fatores que explicam o baixo nível de poupança
Segundo o estudo, 84% dos brasileiros enfrentaram algum tipo de imprevisto financeiro no último ano. Sem reserva, grande parte recorre a crédito caro, aumentando risco de inadimplência. O uso frequente de cartão de crédito, empréstimos pessoais e cheque especial aparece como efeito direto da falta de planejamento.
Outro ponto relevante é o baixo acesso a orientação profissional: 57% dos entrevistados nunca receberam ajuda especializada para organizar suas finanças, e apenas 2% contam com acompanhamento recorrente. Esse cenário reforça a importância da educação financeira como ferramenta de prevenção ao endividamento.
Relatórios divulgados pela Datafolha mostram que situações de emergência se tornam mais graves em contextos de instabilidade econômica. Sem poupança, famílias ficam expostas a ciclos constantes de dificuldade, especialmente quando há aumento de juros ou queda de renda.
- 84% lidaram com emergências nos últimos 12 meses;
- 57% não contam com orientação financeira profissional;
- Apenas 2% recebem acompanhamento regular.
Consequências para consumo, crédito e endividamento
Embora 64% afirmem planejar os gastos mensais, somente 39% conseguem pagar todas as contas em dia. Outros 19% admitem não conseguir quitar as despesas. Esse desequilíbrio revela padrões de consumo impulsivo e ausência de controle de dívidas.
Especialistas destacam que boa parte das dificuldades tem origem cultural. Em muitos lares, falar sobre dinheiro ainda é tabu, o que dificulta o aprendizado e a construção de hábitos positivos. A popularização de conteúdos sobre finanças nas redes sociais ajudou a aproximar o tema do público jovem, mas ainda falta continuidade para transformar conceitos em prática.
A falta de método também torna famílias mais frágeis diante de oscilações no mercado de trabalho, custos essenciais e juros elevados. Sem planejamento, emergências rapidamente se convertem em dívidas difíceis de reverter.
Estratégias que ajudam a iniciar a construção de reserva
Para especialistas, um dos caminhos mais eficientes para ganhar organização é mapear receitas e despesas com regularidade. O registro claro de entradas e saídas permite identificar custos desnecessários, ajustar hábitos e definir metas realistas de poupança.
Ferramentas de controle são fundamentais nesse processo. A Planilha de Controle Financeiro ajuda a organizar despesas fixas e variáveis, acompanhar metas e visualizar a evolução da reserva de emergência ao longo do tempo.
Outra recomendação é automatizar aportes mensais. Destinar parte da renda diretamente para poupança ou investimentos logo após o recebimento reduz o risco de gastos por impulso e fortalece a disciplina financeira.
A educação financeira também tem papel estruturante. Escolas, programas comunitários e iniciativas públicas podem contribuir para formar hábitos desde cedo, reduzindo vulnerabilidades futuras.




