O novo relatório da Europol lança luz sobre a crescente sofisticação das operações criminosas envolvendo criptomoedas. Em 2025, autoridades de segurança registraram avanço no uso de ferramentas digitais para ocultar transações, criar camadas de intermediação e explorar mecanismos de privacidade. A ampliação das técnicas reflete um cenário em que grupos ilícitos acompanham a evolução tecnológica e adotam métodos cada vez mais difíceis de rastrear.
O documento, que compila dados de dezenas de países europeus e parceiros internacionais, reforça que exchanges, plataformas descentralizadas e stablecoins permanecem no centro das preocupações regulatórias. As autoridades defendem que a inovação precisa vir acompanhada de padrões robustos de governança e cooperação global.
Táticas mais difíceis de rastrear
O relatório “European Financial and Economic Crime Threat Assessment” destaca que criminosos têm utilizado mixers, carteiras anônimas e redes P2P para camuflar a origem e o destino de fundos. Em muitos casos, as operações são estruturadas com múltiplas camadas de transferência para simular padrões convencionais do sistema financeiro.
O uso de plataformas DeFi também ganhou destaque. Grupos especializados em fraudes e ransomware têm migrado para protocolos descentralizados que permitem trocas rápidas e sem intermediários, dificultando o monitoramento. A Europol registrou alta significativa em operações que combinam DeFi com exchanges offshore e ferramentas de privacidade.
As autoridades afirmam que o aumento da sofisticação acontece em paralelo ao crescimento da adoção de criptomoedas por usuários legítimos. Isso cria um cenário em que mecanismos de anonimato são utilizados tanto para inovação quanto para atividades ilícitas.
Cooperação global ganha força
A complexidade das operações exige colaboração estreita entre agências de inteligência, bancos centrais e empresas de análise blockchain. A Europol tem intensificado parcerias com laboratórios de inovação, como o Europol Innovation Lab, para desenvolver ferramentas capazes de identificar padrões suspeitos em transações distribuídas.
Além da Europol, organizações como Interpol e UNODC mantêm iniciativas contínuas para padronizar práticas de vigilância transnacional. As redes de cooperação permitem identificar fluxos irregulares com maior rapidez e reduzir o impacto das diferenças regulatórias entre países.
O relatório também destaca a relevância do MiCA (Markets in Crypto-Assets), conjunto de normas europeias que entra em vigor em 2026. O marco regulatório deve ampliar requisitos de transparência para emissores de tokens e plataformas de negociação, criando diretrizes mais claras para atuação no setor.
Stablecoins entram na mira/h2>
Stablecoins como USDT e USDC aparecem entre os ativos mais utilizados em transações ilícitas, devido à sua menor volatilidade e ampla aceitação global. A facilidade de conversão e a liquidez elevada tornam esses ativos ferramentas atrativas para grupos que buscam movimentar recursos sem grandes oscilações de preço.
Empresas especializadas em análise on-chain, como Chainalysis e Elliptic, são citadas como parceiras fundamentais para rastrear movimentações suspeitas. O avanço das técnicas de inteligência artificial tem permitido mapear clusters e identificar comportamentos associados à lavagem de dinheiro e ao financiamento ilícito.
Para quem deseja entender como funcionam os stablecoins e os riscos envolvidos, o Guia de Stablecoins do DicaInvest explica modelos, usos e critérios de avaliação.
Fiscalização ainda encontra lacunas
Apesar dos avanços, a Europol aponta que persistem lacunas na integração de dados entre diferentes jurisdições. A falta de padrões unificados cria brechas que dificultam o rastreamento quando fundos atravessam múltiplas fronteiras, especialmente em ambientes totalmente descentralizados.
As diferenças legislativas entre países também contribuem para o problema. Enquanto algumas regiões possuem normas rígidas sobre identificação de usuários, outras ainda operam com pouca padronização. Essa assimetria facilita a atuação de redes ilícitas que exploram brechas regulatórias para movimentar recursos sem detecção imediata.
Autoridades esperam que a harmonização global de práticas de compliance reduza essas fragilidades. Até lá, a cooperação internacional e o intercâmbio de dados continuam essenciais para acompanhar o ritmo do mercado.
Regras mais rígidas para o setor
A intensificação do monitoramento tende a favorecer um ambiente mais seguro para investidores e empresas do setor. Exchanges, emissores de tokens e plataformas DeFi precisarão seguir padrões cada vez mais rígidos de transparência e governança, o que pode elevar a confiança institucional no setor.
Para investidores, compreender riscos regulatórios se tornou parte fundamental do processo de decisão. Avaliar a segurança das plataformas, a qualidade das informações e o alinhamento com práticas internacionais de compliance passou a ser um critério decisivo.
Informações institucionais sobre segurança digital e cooperação global estão disponíveis no site da Europol, que reúne relatórios, notas técnicas e programas voltados ao combate ao crime financeiro digital.
Transparência se torna prioridade
O alerta da Europol reforça que o avanço das criptomoedas exige responsabilidade, vigilância contínua e marcos regulatórios sólidos. A sofisticação das estruturas criminosas mostra que o setor já opera como parte relevante da economia digital e demanda padrões de governança comparáveis aos do sistema financeiro tradicional.
Com a evolução das ferramentas de rastreamento, o fortalecimento da cooperação internacional e a implementação de marcos como o MiCA, a expectativa é de um ambiente mais transparente e confiável. Para empresas e investidores, acompanhar esse movimento é essencial para entender riscos, oportunidades e as mudanças estruturais que moldarão o setor nos próximos anos.






