Mesmo com a perspectiva de cortes graduais na Selic ao longo de 2025, os títulos pós-fixados seguem como a classe mais procurada pelos investidores de renda fixa. Para a Caixa Asset, o patamar ainda elevado dos juros, somado às incertezas fiscais e ao cenário global desafiador, mantém a atratividade dos papéis atrelados ao CDI mesmo em um contexto de flexibilização monetária.
Na prática, esse cenário faz com que muitos investidores prefiram preservar liquidez e previsibilidade em vez de assumir riscos adicionais em ativos mais voláteis. A combinação de retorno real positivo com simplicidade operacional ajuda a explicar por que os pós-fixados seguem no centro das carteiras conservadoras e moderadas, mesmo com a discussão sobre queda de juros ganhando força.
Por que os pós-fixados seguem atrativos
Durante o 46º Congresso Brasileiro de Previdência Privada, o estrategista Chrystian Faria destacou que os pós-fixados continuam sendo o núcleo das alocações conservadoras. Segundo ele, a combinação de volatilidade internacional, risco fiscal doméstico e inflação ainda elevada sustenta uma postura de cautela por parte dos investidores institucionais.
Faria argumenta que, mesmo com o início de um ciclo de cortes, a Selic permanecerá em níveis suficientemente altos para proporcionar retorno real positivo. Em outras palavras, o investidor segue sendo remunerado acima da inflação em aplicações atreladas ao CDI, o que reduz a pressão para migrar recursos para alternativas mais arriscadas.
A análise reforça que o investidor brasileiro ainda convive com um prêmio de juros acima da média histórica, o que favorece aplicações que ajustam sua remuneração automaticamente às decisões do Banco Central. Esse mecanismo de atualização contínua reduz a necessidade de grandes movimentos na carteira sempre que o cenário muda.
O que muda para investidores com a Selic em queda
As estimativas da Caixa Asset apontam que o ciclo de cortes será gradual e concentrado no segundo semestre de 2025. A projeção da casa é que a Selic encerre o ano em torno de 12% e só atinja 10% ao final de 2026. Isso significa que os títulos atrelados ao CDI continuarão entregando rentabilidade robusta mesmo em um ambiente de flexibilização monetária.
Com inflação projetada próxima de 5% para o próximo ano, Faria calcula que o investidor poderá obter retorno real acima de 6% ao ano, mantendo o pós-fixado como alternativa dominante na renda fixa. Essa combinação ajuda a explicar por que o interesse por ativos como CDBs pós-fixados e Tesouro Selic permanece elevado, mesmo entre investidores com horizonte de prazo mais longo.
Para projeções de rentabilidade e simulações de prazos, o investidor pode utilizar a Calculadora de CDB, ferramenta que permite comparar o desempenho de diferentes níveis de CDI, emissões bancárias e cenários de Selic. A simulação prática ajuda a visualizar como mudanças graduais na taxa básica impactam o retorno acumulado no tempo.
Comparação entre renda fixa pós e prefixada
A equipe da gestora também avalia que fatores como risco fiscal, desaceleração econômica global e pressões inflacionárias em serviços devem manter o investidor mais conservador ao longo de 2025. A combinação desses elementos tende a preservar a demanda por instrumentos com liquidez diária e retorno atrelado a juros de curto prazo.
Segundo Faria, os títulos pós-fixados funcionam como um “amortecedor natural” em períodos de instabilidade. Em cenários de dúvidas sobre o ritmo de corte de juros, o pós-fixado reduz o risco de errar o timing e travar uma taxa prefixada pouco vantajosa. Já os títulos prefixados ganham relevância quando o mercado passa a antecipar quedas mais fortes da Selic, pois permitem capturar, hoje, taxas que podem não estar disponíveis no futuro.
Os títulos indexados à inflação ocupam um espaço intermediário nessa discussão. Eles tendem a ser mais interessantes quando há risco de inflação acima das projeções ou dúvidas sobre a força do processo desinflacionário. Nessas situações, a combinação de IPCA + juros reais oferece proteção adicional ao poder de compra, desde que o investidor respeite o prazo de vencimento.
O estrategista-chefe da Caixa Asset, Ramon Wiest, afirma que a inflação continuará sendo um fator determinante para o ritmo da política monetária. A leitura da equipe é que a desinflação tem avançado, mas ainda de forma desigual entre os componentes, exigindo prudência do Banco Central. Para acompanhar projeções oficiais, investidores podem consultar as atualizações do Relatório Focus do Banco Central, que compila estimativas de mercado sobre crescimento, inflação e trajetória de juros.
Como montar carteira em ciclos de juros descendentes
Com a Selic recuando de forma moderada, especialistas recomendam que o investidor mantenha uma parcela relevante em pós-fixados, mas fique atento a oportunidades pontuais em prefixados e títulos indexados à inflação. A entrada nesses ativos costuma ser mais indicada quando o mercado antecipa cortes mais agressivos ou quando a inflação mostra desaceleração consistente, o que reduz o risco de perdas por marcação a mercado.
Em termos práticos, uma estratégia comum é dividir a renda fixa em blocos: um núcleo principal em pós-fixados para garantir liquidez e estabilidade; uma parcela em títulos indexados à inflação para proteção de longo prazo; e uma fatia mais tática em prefixados, ajustada conforme o ciclo de juros avança. Essa combinação ajuda a equilibrar segurança, previsibilidade e potencial de ganho real.
Para perfis mais conservadores, a recomendação costuma ser manter o foco em pós-fixados de alta qualidade de crédito e prazos compatíveis com os objetivos financeiros. Já investidores moderados e arrojados podem ampliar gradualmente a exposição a prazos mais longos e a papéis com remuneração superior ao CDI, desde que respeitando limites de risco bem definidos.
Mesmo com a queda gradual da Selic, o investidor que busca estabilidade e retorno real positivo encontra nos pós-fixados uma alternativa sólida para 2025. A previsibilidade de ganhos, a liquidez elevada e a proteção frente a cenários de incerteza continuam sustentando a dominância dessa classe na renda fixa brasileira, especialmente em um país de juros estruturalmente altos.





