O Ibovespa encerra 2025 com desempenho positivo, apoiado pela combinação entre queda gradual da Selic, inflação controlada e câmbio mais estável ao longo do ano. Após meses de oscilação moderada, o mercado brasileiro passa a registrar maior fluxo estrangeiro e melhora nas expectativas econômicas, reforçando um ambiente mais favorável para ativos domésticos.
O movimento de redução dos juros e a normalização das condições financeiras levou analistas a revisar projeções para o início de 2026. Para leitores que acompanham decisões de política monetária, o Guia da Selic apresenta os principais conceitos que influenciam juros, expectativas e o comportamento da renda fixa ao longo dos ciclos.
Fatores que explicam o movimento recente da Bolsa
O ciclo de cortes iniciado pelo Banco Central em 2024 manteve ritmo moderado em 2025. A projeção predominante entre consultorias aponta que a Selic deve encerrar 2026 em patamar menor, desde que as expectativas inflacionárias sigam bem ancoradas. Esse cenário se fortalece a partir de dados divulgados pela Reuters, que mostram desaceleração nos preços ao consumidor também em outras economias relevantes, reduzindo pressões externas.
No Brasil, o IPCA permaneceu abaixo de 4% durante a maior parte do ano, contribuindo para a percepção de que a política monetária caminha para uma atuação mais flexível. Esse ambiente reforçou análises de casas de investimento que enxergam o país em um estágio mais maduro em relação à volatilidade vista em 2023 e 2024.
Com menor aperto monetário, setores mais sensíveis aos ciclos de juros começaram a ganhar tração, especialmente varejo, construção civil e companhias de capital intensivo. Além disso, empresas com forte dependência de financiamento apontaram redução no custo médio da dívida, o que tende a refletir em margens mais estáveis e maior disposição para investimentos em expansão.
O que sustenta a estabilidade do dólar
O dólar oscilou entre R$ 5,30 e R$ 5,50 ao longo de 2025, comportamento mais contido que os movimentos registrados no ano anterior. A entrada de capital estrangeiro, motivada pelo diferencial de juros e pela melhora gradual do quadro fiscal, ajudou a estabilizar a moeda americana.
Relatórios de mercado destacam que o fluxo internacional se concentrou em setores de maior liquidez, como commodities, financeiro, energia e infraestrutura. O câmbio menos volátil reduziu custos de importação e ajudou empresas dependentes de componentes importados — casos frequentes em tecnologia, indústria farmacêutica e bens de capital.
Outro ponto observado é que a percepção de menor risco político também influenciou o comportamento da moeda. Analistas destacam que, embora o ambiente ainda demande atenção, a previsibilidade maior em torno de pautas econômicas gerou um quadro de menor estresse no curto prazo.
A estabilidade cambial ainda trouxe impacto direto sobre a inflação de bens comercializáveis, que historicamente respondem com rapidez a variações no dólar. Esse movimento favoreceu famílias e empresas, criando um ciclo mais organizado de consumo e reposição de estoques.
Impactos para empresas e investidores
A conjunção entre juros mais baixos, inflação moderada e câmbio estável fortaleceu o desempenho da Bolsa ao longo de 2025. Empresas listadas passaram a entregar resultados mais consistentes, refletindo tanto ajustes operacionais quanto maior demanda em setores-chave.
Investidores estrangeiros voltaram a aumentar participação no mercado local, movimento que tende a beneficiar ações de grande liquidez e empresas com forte presença internacional. Essa melhora também se refletiu no volume negociado, com avanço expressivo em companhias ligadas à economia real.
Para investidores individuais, o ambiente mais previsível ampliou a disposição ao risco, principalmente em empresas do setor de consumo, logística, bancos e energia. O interesse por carteiras diversificadas cresceu, e relatórios publicados por corretoras mostram aumento na procura por ativos relacionados a infraestrutura, saneamento e concessões.
Além disso, balanços trimestrais recentes evidenciaram aumento de margens operacionais em setores exportadores, beneficiados pelo dólar menos instável e pela demanda global por energia, metais e alimentos. Empresas que vinham passando por ciclos de desalavancagem também mostraram melhora de rating e reabertura de linhas de crédito antes mais restritas.
Cenários que podem orientar o início de 2026
O ano de 2026 começa com maior atenção às decisões do Federal Reserve. Analistas avaliam que um ritmo mais previsível de cortes de juros nos EUA pode manter o fluxo global direcionado a mercados emergentes — inclusive o Brasil — desde que o país preserve disciplina fiscal.
Outro ponto monitorado é a performance das commodities, especialmente petróleo, minério de ferro e produtos agrícolas. Movimentos bruscos nesses mercados podem alterar projeções de receita para empresas exportadoras e influenciar o humor da Bolsa.
No campo doméstico, investidores acompanham propostas relacionadas ao novo arcabouço fiscal, ao equilíbrio das contas públicas e ao avanço de projetos de infraestrutura. Caso esses pilares permaneçam estáveis, o país tende a seguir recebendo parte relevante do fluxo estrangeiro em busca de retornos mais atrativos.
Para empresas, a perspectiva de juros menores abre espaço para revisões de orçamento, retomada de projetos suspensos e reavaliação de metas de expansão. O mercado observa especialmente setores com demanda reprimida e dependência direta do crédito, que podem reagir de maneira mais intensa ao novo ciclo monetário.




