O mercado de criptomoedas volta a chamar atenção após novas projeções otimistas de Tom Lee, chefe de research da Fundstrat Global Advisors. Para o analista, a recente correção do Bitcoin e do Ethereum representa uma pausa técnica em um ciclo maior de valorização, e não uma mudança estrutural na tendência de longo prazo.
Na leitura da Fundstrat, entender apenas o movimento diário de preços é insuficiente. Indicadores como atividade on-chain, uso de stablecoins, liquidez em bolsas e participação institucional ajudam a compor um quadro mais completo sobre o momento do mercado. Para quem acompanha esse universo, essa visão de conjunto passa a ser tão importante quanto o acompanhamento de cotações.
O que sustenta a projeção otimista para o Bitcoin
Em entrevista à CNBC, Tom Lee afirmou que o preço do Bitcoin pode encerrar 2025 próximo de US$ 152 mil, enquanto o Ethereum teria espaço para alcançar cerca de US$ 7 mil. As projeções representam uma recuperação relevante em relação aos níveis observados após a correção recente, quando o Bitcoin chegou a ser negociado abaixo de US$ 104 mil, seu menor patamar desde junho.
Segundo o analista, o movimento de queda se encaixa no padrão histórico de ciclos de alta, em que fases de realização mais intensa servem para “limpar” posições altamente alavancadas. Na avaliação da Fundstrat, o fluxo de capital continua positivo em horizontes mais longos, alimentado por mudanças regulatórias, maior aceitação institucional e expansão de produtos financeiros ligados a cripto.
Lee também reforça que discussões em torno do próximo halving do Bitcoin e o crescimento de ETFs e fundos listados em bolsas tradicionais ajudam a manter o ativo no radar de investidores profissionais. Para ele, esse conjunto de fatores cria um pano de fundo compatível com projeções mais agressivas de preço.
Fatores que influenciam o fluxo de capital no mercado cripto
Além das estimativas numéricas, a Fundstrat destaca um grupo de fatores que ajudam a explicar a entrada e saída de recursos no mercado. Um deles é a evolução das stablecoins, usadas como ponte entre o sistema financeiro tradicional e o ecossistema cripto. Tokens como USDT e USDC seguem movimentando volumes elevados em diferentes bolsas, facilitando realocações rápidas de capital.
No caso do Ethereum, o crescimento de protocolos de finanças descentralizadas (DeFi), aplicações tokenizadas e serviços de staking gera receitas on-chain mais robustas. Taxas pagas por usuários e projetos alimentam a rede e reforçam a percepção de que o ativo está ligado a um ecossistema funcional, e não apenas a especulação de curto prazo.
- Stablecoins em expansão: maior circulação de ativos pareados ao dólar sustenta liquidez e facilita migração entre tokens;
- Atividade on-chain em Ethereum: uso crescente de contratos inteligentes e aplicações descentralizadas mantém receitas em patamares relevantes;
- Interesse institucional: gestoras, bancos e corretoras seguem testando produtos estruturados, fundos e soluções de custódia.
Em paralelo, a percepção de que a inflação global começa a perder força e de que políticas monetárias podem se tornar menos restritivas em grandes economias tende a aumentar o apetite por ativos de risco, incluindo criptomoedas.
Riscos associados ao cenário projetado
Apesar do tom construtivo, as projeções da Fundstrat não eliminam os riscos do mercado cripto. Um dos principais pontos de atenção continua sendo a volatilidade elevada. Movimentos diários de dois dígitos seguem sendo comuns, especialmente em períodos marcados por alavancagem elevada ou por notícias regulatórias sensíveis.
Outro risco relevante está ligado à política monetária. Caso bancos centrais demorem mais do que o esperado para reduzir juros, ativos considerados arriscados podem enfrentar novas rodadas de pressão. Mudanças repentinas nas expectativas para a economia norte-americana tendem a gerar impacto direto em Bitcoin, Ethereum e outros criptoativos.
A agenda regulatória também segue em aberto. Investigações sobre exchanges, mudanças em regras de custódia e novas exigências de transparência podem alterar o funcionamento de mercados específicos e afetar a confiança em determinados intermediários.
Como investidores podem interpretar as estimativas
Para o investidor, a principal mensagem das projeções da Fundstrat não está apenas nos números-alvo, mas na leitura de que o ciclo atual ainda pode ser de construção de valor em horizontes mais longos. Isso não significa ignorar riscos, e sim incorporar a volatilidade como parte do comportamento esperado de um ativo de alto risco.
Uma abordagem comum entre planejadores financeiros é limitar o peso de criptoativos dentro da carteira total, tratando a exposição como parcela complementar, e não como eixo central da estratégia. Perfis conservadores tendem a manter alocação pequena, enquanto perfis moderados e arrojados podem ampliar a fatia, desde que respeitem limites de perda tolerável.
Para entender melhor fundamentos, histórico e riscos do ativo, o leitor pode consultar o Guia do Bitcoin, que detalha conceitos como halving, liquidez, ciclos de mercado e relação com outros ativos de risco.
O uso de metas claras, regras de rebalanceamento e prazos compatíveis com a natureza volátil do mercado ajuda a evitar decisões tomadas apenas com base em manchetes ou em projeções isoladas.
Pontos que conectam preço, liquidez e apetite por risco
No Panorama DicaInvest, o caso das projeções da Fundstrat ilustra um mercado que se tornou mais sensível a dados de liquidez global, dinâmica de stablecoins e decisões de política monetária. O comportamento de preços passa a refletir não só narrativas internas do setor, mas também o humor dos investidores em relação à economia como um todo.
Quando o custo do dinheiro cai e a confiança aumenta, cresce o espaço para que parte do capital migre para ativos de maior risco em busca de retornos mais altos. Em sentido contrário, períodos de aperto monetário e aversão generalizada ao risco tendem a reduzir a liquidez disponível para criptoativos e a reforçar movimentos de correção.
Para quem investe, o desafio é compreender que projeções otimistas, como as da Fundstrat, convivem com um ambiente em que ajustes bruscos continuam possíveis. A leitura cuidadosa de fundamentos, aliada a uma estratégia de alocação consistente, ajuda a transformar ciclos de alta e baixa em elementos de um plano de longo prazo, e não em gatilhos para decisões impulsivas.





