O mercado de apostas esportivas se consolidou como um dos setores de maior crescimento no país e passou a ocupar espaço central no debate fiscal. Em 2025, o segmento movimentou mais de R$ 117 bilhões e gerou cerca de R$ 4 bilhões em tributos, resultado de um processo de formalização que ainda está em desenvolvimento. Diante da expansão acelerada e do aumento da arrecadação, o governo estuda ajustes tributários para ampliar o controle e calibrar a contribuição das plataformas de bets.
O avanço do setor também chamou a atenção de instituições financeiras e reguladores, que agora monitoram com mais rigor as operações ligadas a casas de apostas. A migração de um mercado informal para um ambiente regulado gera oportunidades, mas também exige cautela na definição de políticas públicas, especialmente para evitar distorções e preservar a competitividade.
Apostas ampliam presença na economia
Dados do Ministério da Fazenda mostram que a arrecadação sobre o setor cresceu mais de 70% em dois anos. A entrada de grandes operadores internacionais, aliada à adoção de regras mais claras, ampliou a base tributária e estimulou empresas a formalizarem suas atividades. A combinação de ISS, Simples Nacional, contribuições sobre patrocínios esportivos e impostos incidentes sobre premiações vem fortalecendo a presença do setor na economia.
A regulamentação gradual das apostas esportivas deu previsibilidade ao mercado e abriu espaço para contratos publicitários de maior porte, especialmente em ligas e campeonatos nacionais. A visibilidade obtida pelo setor está diretamente ligada à implementação de normas oficiais, acompanhadas de perto pelos órgãos governamentais. No portal do Ministério da Fazenda, constam diretrizes e estimativas de arrecadação que posicionam as bets como uma das novas frentes de receita para a União.
Para operadores licenciados, o ambiente mais claro reduz riscos jurídicos e fortalece a capacidade de atrair parceiros e patrocinadores de grande porte.
Governo analisa nova tributação
Com a arrecadação em alta, o governo federal discute um possível aumento da carga tributária sobre o setor. Entre as propostas em avaliação no Congresso está a elevação da alíquota sobre o lucro das operadoras, aproximando a tributação das bets a modelos adotados para outros segmentos de entretenimento digital.
Parlamentares favoráveis à mudança afirmam que, dada a magnitude atual do mercado, há margem para ampliar a contribuição fiscal sem comprometer a atividade. Por outro lado, representantes do setor defendem que saltos abruptos na carga tributária podem reduzir a atratividade do mercado regulado, favorecendo a retomada de operações clandestinas.
O desafio será encontrar um ponto de equilíbrio entre aumento de receita e manutenção de competitividade — especialmente porque operadores internacionais conseguem migrar rapidamente para ambientes regulatórios mais flexíveis, caso as condições se tornem inviáveis no Brasil.
Bancos intensificam controle do setor
O sistema financeiro passou a exercer papel decisivo na filtragem de operações ligadas a apostas. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em conjunto com o Banco Central e a Receita Federal, reforçou o monitoramento de transações associadas a operadoras sem licença para atuar no país.
Fintechs e instituições de pagamento também ampliaram suas políticas de conformidade, exigindo verificações mais rigorosas sobre origem de recursos e identificação de usuários. Com isso, plataformas que operam à margem da regulamentação enfrentam maiores dificuldades para processar depósitos e saques, o que aumenta o custo de permanecer fora do ambiente regulado.
Para empresas autorizadas, o movimento tende a fortalecer a credibilidade e reduzir a concorrência desleal, estimulando a migração gradual para práticas formais de operação.
Arrecadação avança, mas exige cautela
Levantamentos recentes mostram que o setor movimentou cerca de R$ 117,9 bilhões ao longo de 2025, contribuindo com aproximadamente R$ 4,1 bilhões em tributos diretos e indiretos. O desempenho consolidou as apostas como uma nova fonte de receita para o governo, equiparando o segmento a atividades tradicionais do mercado de consumo.
Economistas, porém, destacam que ainda existem fragilidades a observar. Em um cenário de ajuste fiscal, há risco de que o governo passe a depender excessivamente de um setor sensível a mudanças regulatórias, avanços tecnológicos e variações no comportamento de consumo. Caso a tributação seja elevada além da capacidade de absorção do mercado, parte da operação pode migrar novamente para plataformas irregulares ou para jurisdições com regras mais brandas.
A construção de um modelo sustentável passa por calibrar a cobrança, observar experiências internacionais e monitorar a reação dos consumidores às mudanças do ambiente regulatório.
Regulação mira modelo sustentável
Especialistas em políticas públicas argumentam que o setor só alcançará estabilidade quando houver um modelo regulatório que ofereça segurança jurídica, exigências proporcionais ao porte das empresas e mecanismos robustos de supervisão. Países como Espanha e Reino Unido são frequentemente citados como referências por terem conseguido equilibrar arrecadação, competitividade e proteção ao usuário.
No Brasil, bancos, fintechs e operadoras licenciadas compõem um tripé essencial para filtrar operações e reduzir espaço para irregularidades. Quando bem coordenado, esse ecossistema aumenta a transparência, melhora a qualidade da informação e fortalece a confiança do usuário final.
Para investidores e agentes do mercado, acompanhar a evolução das normas e o comportamento dos principais operadores tornou-se parte fundamental da análise. Em um setor que cresce rapidamente, entender como regras, tecnologia e instituições financeiras se articulam é determinante para avaliar riscos e oportunidades.
Quem deseja aprofundar temas como alocação, diversificação e impacto de mudanças regulatórias pode consultar o Guia de Investimentos, que reúne fundamentos essenciais para momentos de reavaliação fiscal.




