O Banco Central do Brasil participa, no Rio de Janeiro, de um dos principais encontros globais dedicados ao futuro do dinheiro e da infraestrutura financeira. O evento, realizado durante o Central Banking’s Autumn Meetings 2025, reúne autoridades monetárias, reguladores internacionais, pesquisadores e executivos do setor de tecnologia para discutir a evolução das moedas digitais, a integração entre plataformas de pagamentos e os novos modelos de governança que devem marcar a próxima década. A pauta envolve tanto aspectos técnicos quanto impactos econômicos, com foco nas transformações que afetam liquidação, segurança e desenho da política monetária.
BC apresenta avanços no debate global
O secretário-executivo do Banco Central, Rogério Antônio Lucca, representará o Brasil no painel dedicado à transformação do dinheiro em ambiente digital. Durante a discussão, os participantes analisam a convivência entre soluções de pagamento instantâneo, moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) e arranjos privados desenvolvidos por empresas de tecnologia. Entre os temas, está a necessidade de harmonizar inovação com estabilidade financeira, especialmente em ecossistemas que já operam com forte digitalização.
Ao longo dos encontros, especialistas comparam experiências de diferentes países, destacando os desafios enfrentados no desenho de sistemas de liquidação digital, no desenvolvimento de carteiras em larga escala e na definição de limites de uso para instrumentos monetários programáveis. A interação com organismos multilaterais reforça a busca por padrões de interoperabilidade que permitam trocas seguras entre plataformas soberanas e privadas. Debates sobre segurança jurídica também permeiam a agenda, à medida que novas tecnologias exigem ajustes regulatórios.
No panorama internacional, entidades como o BIS têm enfatizado que políticas monetárias digitais dependem de arcabouço robusto de governança, com mecanismos que assegurem privacidade, integridade de dados e rastreabilidade de operações críticas. A presença do Brasil no encontro reforça o interesse global pelas soluções nacionais de pagamentos instantâneos e open finance.
CBDCs dividem espaço com stablecoins
A relação entre CBDCs e stablecoins representa um dos pontos centrais dos debates. Conforme o uso de moedas tokenizadas se expande, bancos centrais avaliam como esses instrumentos podem coexistir sem comprometer o papel da moeda soberana. Uma parte significativa das discussões envolve a definição de padrões técnicos que permitam que soluções privadas funcionem em harmonia com a infraestrutura pública, sem gerar fragmentação ou riscos sistêmicos.
Além disso, os participantes exploram modelos de arquitetura para CBDCs que equilibram privacidade, eficiência e controle. Essa análise inclui desenho de camadas de acesso, identificação digital, limites de saldo e interoperabilidade entre varejo e atacado. A amplitude dos temas reflete a diversidade de abordagens adotadas por economias avançadas e emergentes, que adaptam seus projetos às necessidades locais.
Para investidores que acompanham tendências relacionadas ao setor, o Guia do Bitcoin oferece explicações sobre ativos descentralizados e seus impactos no conjunto mais amplo de soluções digitais.
- CBDCs são projetadas como extensão digital da moeda oficial;
- stablecoins seguem relevantes para operações privadas e pagamentos internacionais;
- a integração entre sistemas exige padrões claros de supervisão e interoperabilidade.
Governança entra no foco internacional
Os debates também abordam governança, riscos cibernéticos e padrões de resiliência operacional, especialmente em um cenário em que infraestruturas financeiras dependem cada vez mais de sistemas distribuídos. Participantes de mercados da América Latina, Europa e Ásia discutem como proteger plataformas digitais contra ataques e minimizar interrupções em sistemas críticos de pagamento.
Ao mesmo tempo, cresce a atenção sobre parcerias público-privadas. Muitos bancos centrais consideram que o setor privado desempenha papel importante na criação de soluções de identidade digital, carteiras e serviços complementares de acesso, desde que operem sob regras transparentes. Essa abordagem busca aproveitar a inovação das empresas sem abrir mão da estabilidade da política monetária.
Nesse contexto, as discussões ajudam a mapear caminhos potenciais para o desenvolvimento de produtos financeiros que utilizem registros distribuídos e infraestruturas tokenizadas, sem comprometer princípios como segurança, eficiência e inclusão. A troca de experiências tende a acelerar ajustes regulatórios e a formar referências internacionais para projetos que ainda estão em evolução.
Brasil avança com PIX e Drex
O avanço do Brasil no desenvolvimento do Drex — a moeda digital do Banco Central — tem atraído atenção de autoridades estrangeiras. Desde o início dos testes, o projeto explora combinações de liquidação instantânea, contratos inteligentes e registro distribuído, com participação de instituições financeiras, empresas de tecnologia e entidades do setor produtivo. Esse conjunto de testes permite simular como serviços de varejo e atacado podem operar em novo formato.
Ao mesmo tempo, o PIX consolidou o país como referência internacional em pagamentos instantâneos, influenciando estudos semelhantes em outras economias. O histórico brasileiro em digitalização de serviços financeiros reforça o interesse de delegações estrangeiras em entender como políticas regulatórias e incentivos públicos contribuíram para ampliar o acesso a ferramentas digitais.
Nos painéis no Rio, representantes do Banco Central devem detalhar como o Drex incorpora lições aprendidas com o PIX e com o ecossistema de open finance, além de abordar desafios relacionados a segurança, padronização e conexão com redes internacionais. O tema ganhou relevância no contexto global por sua capacidade de influenciar modelos adotados em outros mercados emergentes.
Novo ciclo para o sistema monetário
As discussões no Rio reforçam que moedas digitais deixaram de ser projetos experimentais e passaram a ocupar espaço estratégico na agenda de bancos centrais. A combinação entre CBDCs, stablecoins e sistemas de pagamento rápido tende a remodelar etapas críticas do processo financeiro, influenciando como recursos são liquidados e como operações internacionais são processadas.
Para investidores, acompanhar essa transição é essencial. Mudanças no modo como liquidações ocorrem, como ativos digitais se conectam a instrumentos tradicionais e como riscos são monitorados podem influenciar preços, prazos e atratividade de diferentes produtos financeiros. No caso brasileiro, o posicionamento ativo do Banco Central indica que o país deve continuar participando do avanço global da digitalização monetária.
À medida que bancos centrais articulam cooperação e harmonizam padrões, a expectativa é que novas soluções ampliem eficiência, reduzam custos e fortaleçam a infraestrutura financeira internacional. A trajetória do Brasil, combinando inovação regulatória e modernização tecnológica, deve permanecer no centro das discussões sobre o futuro do dinheiro.




