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O mercado de criptomoedas encerrou outubro em clima de correção. O Bitcoin (BTC) acumulou queda de aproximadamente 7% no mês e fechou negociado ao redor de US$ 63 mil, registrando o pior desempenho mensal desde abril. O movimento contrariou o padrão histórico de valorização conhecido como “Uptober”, mas analistas veem a retração como parte de um ciclo mais amplo, marcado por ajustes técnicos e incertezas macroeconômicas.

Fatores de pressão

Tradicionalmente, outubro costuma ser um período favorável para o Bitcoin, com diversos ciclos anteriores marcados por fortes altas. Em 2025, porém, o cenário foi diferente. Após um trimestre de valorização expressiva, investidores institucionais aproveitaram níveis próximos das máximas para realizar lucros e rebalancear portfólios.

Ao longo do mês, os ETFs de Bitcoin listados nos Estados Unidos registraram saídas líquidas de cerca de US$ 600 milhões, segundo provedores do setor. Esse fluxo vendedor, combinado à incerteza sobre a trajetória dos juros norte-americanos, intensificou as pressões de venda. Ainda assim, o BTC encerrou outubro acima de US$ 60 mil, mantendo suportes relevantes observados em ciclos anteriores.

Para participantes veteranos, a oscilação é vista como parte natural de mercados cíclicos, em que correções seguem períodos de forte desempenho.

Visão técnica

Para analistas, a queda de outubro está mais ligada a uma correção técnica após meses de ganhos expressivos do que a uma ruptura estrutural de tendência. Indicadores de longo prazo mostram o preço acima de médias importantes e dentro de zonas de suporte vistas em ciclos passados.

Especialistas destacam que a liquidez no mercado de derivativos permanece saudável e que a dominância do Bitcoin sobre as altcoins segue acima de 50%, nível típico de fases de consolidação. Na avaliação de parte do mercado, o comportamento atual se assemelha a momentos de pausa que antecederam movimentos de retomada em outros ciclos de alta.

Quem deseja aprofundar fundamentos, histórico de ciclos e riscos pode consultar o Guia do Bitcoin, que reúne conceitos essenciais para análise.

Impacto nas altcoins

O ajuste não ficou restrito ao Bitcoin. O Ethereum (ETH) recuou perto de 10% e testou mínimas ao redor de US$ 3.830, encontrando dificuldade para sustentar a faixa dos US$ 4.300. Técnicos afirmam que o ativo permanece em consolidação lateral, com possibilidade de retomada caso recupere essa região.

A Solana (SOL) caiu mais de 15% no período, oscilando entre US$ 174 e US$ 223, mas ainda dentro de um canal de alta de médio prazo. Gestores destacam que iniciativas ligadas à rede — como jogos, redes sociais e soluções de pagamento — continuam avançando e sustentam o interesse de longo prazo.

Outras altcoins relevantes, como BNB, XRP e Avalanche (AVAX), também terminaram o mês no campo negativo, pressionadas pela realização de lucros e redução moderada de volume negociado. Ainda assim, casas de análise ressaltam fundamentos sólidos em vários desses projetos, especialmente aqueles focados em infraestrutura e tokenização.

Juros e regulação

O ambiente macroeconômico também influenciou o desempenho de outubro. A decisão mais recente do Federal Reserve manteve os juros entre 4,75% e 5% ao ano, sinalizando prudência na velocidade de futuros cortes. O cenário de taxas altas, combinado a incertezas sobre a inflação, reduziu o apetite global por ativos de risco.

Ao mesmo tempo, investidores acompanham o processo regulatório envolvendo ETFs de Bitcoin e Ethereum nos Estados Unidos. A SEC, responsável pela avaliação dos pedidos, analisa a ampliação da oferta de fundos à vista — medida que pode liberar novo fluxo de capitais institucionais para o setor.

Analistas afirmam que a combinação de cortes de juros com aprovação de ETFs spot criaria condições para retomada mais consistente da demanda por criptoativos ao longo de 2026.

Confiança no ciclo

A queda de 7% do Bitcoin em outubro deve ser entendida dentro de um contexto maior, em que correções fazem parte do comportamento típico de ciclos prolongados de alta. A interação entre juros elevados, realização de lucros e expectativa por definições regulatórias nos EUA explica grande parte da trajetória recente dos preços.

O amadurecimento regulatório — com decisões de órgãos como a SEC e bancos centrais — tende a reduzir incertezas ao longo do tempo. À medida que regras se tornam mais claras e produtos como ETFs à vista ganham espaço, a participação institucional no mercado cripto tende a aumentar.

Para o investidor, a leitura vai além da oscilação mensal: compreender como juros, tecnologia e regulação convergem para moldar o ciclo é determinante. Em cenários de volatilidade, disciplina de alocação, diversificação e gestão de risco continuam essenciais para quem pretende se manter exposto ao universo digital.


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