A Tether, maior emissora de stablecoins do mundo, atingiu em 2025 um marco histórico: lucro líquido de aproximadamente US$ 10 bilhões nos três primeiros trimestres do ano. O resultado coloca a companhia no patamar de rentabilidade de grandes bancos globais e reforça o papel do USDT como uma das principais pontes entre o sistema financeiro tradicional e a criptoeconomia.
Contexto: Tether se aproxima dos grandes bancos globais
De acordo com dados divulgados em outubro, a Tether registrou lucro líquido de cerca de US$ 10 bilhões em nove meses, impulsionado principalmente pelos rendimentos de títulos do Tesouro dos Estados Unidos que compõem as reservas do USDT. A empresa afirma manter algo em torno de US$ 135 bilhões alocados em papéis de renda fixa norte-americanos e outros títulos soberanos de países como Alemanha, Emirados Árabes e Arábia Saudita.
Esse desempenho coloca a emissora de stablecoins lado a lado com instituições tradicionais de Wall Street em termos de lucratividade. Bancos como Bank of America e U.S. Bank, por exemplo, reportaram lucros menores no mesmo período, enquanto nomes como Morgan Stanley e Goldman Sachs aparecem apenas alguns bilhões acima. A comparação tem sido destacada em análises de mercado e veículos internacionais, como a Reuters, que acompanham a aproximação entre finanças tradicionais e ativos digitais.
Ainda assim, a Tether permanece distante do topo absoluto do sistema bancário, liderado por gigantes como o JP Morgan, que segue com resultados muito superiores em escala global. Mesmo assim, o avanço da emissora de USDT é visto como uma mudança relevante na forma como instituições financeiras digitais participam do jogo da rentabilidade.
Desenvolvimento: o modelo baseado em títulos do Tesouro
O motor por trás dos lucros da Tether é um modelo relativamente simples: aplicar a maior parte das reservas que lastreiam o USDT em títulos de curto prazo do Tesouro dos EUA. Em um cenário de juros elevados, esses ativos pagam taxas médias expressivas ao ano, combinando alta liquidez com baixo risco de crédito soberano.
Na prática, quanto maior a demanda por USDT, maior o volume de dólares depositados nas reservas e, consequentemente, maior o montante aplicado em papéis remunerados. A diferença entre o que a empresa ganha com esses investimentos e seus custos operacionais é o que alimenta o lucro, aproximando o modelo de negócios da Tether ao de grandes gestoras e instituições financeiras que vivem de administrar carteiras de ativos.
Analistas destacam que a combinação de alta procura por stablecoins e juros altos nos EUA criou um ambiente ideal para esse tipo de operação. Em vez de depender de produtos complexos, a Tether se apoia em instrumentos clássicos da renda fixa global para sustentar sua rentabilidade.
Impactos: stablecoins ganham peso no sistema financeiro
O avanço da Tether não se limita aos números do balanço. Para muitos analistas, a performance de 2025 mostra que as stablecoins deixaram de ser apenas um instrumento de nicho no mercado cripto para se tornarem peças relevantes na engrenagem financeira internacional.
Em diversos países emergentes, o USDT passou a funcionar como uma espécie de “dólar digital” de fácil acesso, especialmente em regiões com inflação elevada ou sistemas bancários pouco desenvolvidos. Usuários recorrem à stablecoin para preservar poder de compra, realizar pagamentos internacionais e acessar plataformas de investimento em criptoativos sem, necessariamente, ter conta em um banco norte-americano.
- Escala global: a Tether fala em centenas de milhões de usuários, sobretudo em mercados emergentes e economias em desenvolvimento;
- Líquidez digital: o USDT é amplamente aceito em exchanges, plataformas de trading e soluções de pagamento;
- Ponte com a renda fixa: as reservas em títulos do Tesouro conectam o mercado cripto ao coração do sistema financeiro dos EUA.
Esse movimento amplia o debate sobre o papel das stablecoins na inclusão financeira e na circulação internacional de capital, ao mesmo tempo em que traz novas discussões regulatórias sobre transparência, governança e supervisão.
Cenário e próximos passos da Tether
Além dos resultados recordes, a Tether sinalizou planos de expansão que incluem o lançamento de uma nova stablecoin voltada ao mercado norte-americano, a USAT, ainda em 2025. A proposta é que o ativo seja lastreado integralmente em títulos do Tesouro dos EUA e conte com supervisão de uma das grandes firmas globais de auditoria, em linha com a busca por maior credibilidade institucional.
O movimento é visto como parte da estratégia de aprofundar a presença nos Estados Unidos e aumentar a aderência a padrões regulatórios locais. A empresa também demonstra interesse em se aproximar do mercado de capitais tradicional, sinalizando um diálogo cada vez mais intenso com investidores institucionais que buscam exposição ao segmento de stablecoins.
Ao mesmo tempo, a Tether continua no centro do debate sobre transparência de reservas e supervisão internacional. A forma como a empresa equilibra crescimento, governança e relacionamento com reguladores será um dos pontos críticos para definir a sustentabilidade do seu modelo nos próximos anos.
Panorama DicaInvest
Do ponto de vista do investidor, o lucro histórico da Tether é um marco na convergência entre finanças tradicionais e criptoativos. Ao estruturar um modelo baseado em reservas reais e receitas previsíveis, a empresa mostra que stablecoins podem ocupar um espaço relevante no sistema financeiro, indo além do uso especulativo que marcou os primeiros ciclos de cripto.
Para quem acompanha o tema, entender como essas moedas estáveis são lastreadas, auditadas e utilizadas em diferentes países passou a ser uma etapa essencial da análise. Stablecoins já funcionam como infraestrutura para pagamentos, remessas internacionais e operações em exchanges, aproximando usuários de títulos soberanos e da renda fixa global.
No Brasil, esse movimento reforça a importância de estudar o funcionamento das stablecoins e seu papel em estratégias de diversificação e proteção cambial. O Guia de Stablecoins do DicaInvest aprofunda esses pontos, detalhando riscos, oportunidades e o contexto regulatório que começa a se consolidar no país e no exterior.





